Open Insurance: qual o papel das corretoras nesse cenário?

27/08/2026

No Open Insurance, o cliente autoriza que seus dados de seguro circulem entre empresas reguladas pela SUSEP, o que facilita comparar ofertas, contratar e trocar de produto. Para a corretora, o papel não diminui: ela passa a ser quem interpreta esses dados, orienta a escolha e conduz o consentimento do cliente.

O modelo ainda está em construção. Em 2026, a SUSEP colocou a revisão do Open Insurance no Brasil entre suas prioridades máximas, o que torna este o momento de a corretora se posicionar.

O que é Open Insurance e em que fase ele está

O Sistema de Seguros Aberto, nome oficial do Open Insurance, foi criado pela Resolução CNSP nº 415/2021 e é supervisionado pela SUSEP. Ele foi desenhado em três fases:

  1. Dados públicos: seguradoras publicam informações padronizadas de produtos e canais de atendimento.
  2. Dados do cliente: com consentimento, apólices, coberturas e sinistros podem ser compartilhados entre participantes.
  3. Serviços: o cliente pode iniciar contratação, aviso de sinistro e outras movimentações por empresas autorizadas, as Sociedades Processadoras de Ordem do Cliente (SPOC).

Na prática, o avanço foi mais lento que o do Open Finance. Até abril de 2026, só duas SPOCs tinham autorização da SUSEP. A autarquia abriu uma tomada de subsídios sobre governança, consentimento e participação no ecossistema, encerrada em maio de 2026, e deve revisar as regras ao longo do ano, em paralelo à adaptação ao novo marco legal dos seguros.

Vale um recorte para quem atua com benefícios: planos de saúde e odontológicos são regulados pela ANS e ficam fora do Open Insurance. O impacto chega primeiro em seguro de vida em grupo, previdência e demais seguros da carteira.

O papel das corretoras de seguros no Open Insurance

Traduzir dados em decisão. O compartilhamento de dados aumenta a informação disponível, mas um RH não vai comparar apólices sozinho. Quem lê coberturas, carências e histórico de sinistros e transforma isso em recomendação continua sendo o corretor.

Comparar e propor trocas com base em histórico. Com acesso autorizado às apólices do cliente, a corretora identifica lacunas de cobertura e sobreposições e propõe ajustes com argumentos objetivos.

Proteger a relação contra a desintermediação. Plataformas digitais e SPOCs podem oferecer cotação direta ao cliente. O que segura a carteira é o serviço: um pós-venda bem feito e conhecimento da empresa atendida, coisas que um comparador não entrega.

Participar da definição das regras. Estudos de mercado apontam que o fluxo de consentimento herdado do Open Banking não considera a intermediação do corretor, e modelos de remuneração para a categoria estão na pauta levada à SUSEP. Acompanhar a revisão, inclusive pelas entidades de classe, define o espaço que o corretor terá no ecossistema.

Como a corretora se prepara para o Open Insurance

  1. Mantenha o registro em dia. Só corretores regulares participam de qualquer ecossistema supervisionado. O caminho do registro SUSEP à gestão de carteira é o ponto de partida.
  2. Ajuste a governança de dados. Consentimento, finalidade e guarda das informações seguem a LGPD. O guia de LGPD para corretoras de seguros mostra o que revisar.
  3. Organize a carteira em um sistema único. Apólices, vencimentos e histórico de atendimento espalhados em planilhas não conversam com dados abertos. Um CRM para corretora de seguros cria essa base.
  4. Mapeie onde o modelo afeta sua carteira. Separe o que é regulado pela SUSEP (vida, previdência, demais seguros) do que segue na ANS (saúde e odonto) e priorize os clientes com mais apólices fora do seu controle.
  5. Acompanhe a revisão regulatória. As mudanças discutidas em 2026 podem definir como o corretor participa do fluxo de consentimento e é remunerado.

Perguntas frequentes sobre Open Insurance

O Open Insurance vai substituir o corretor de seguros? Não há previsão disso nas regras. O modelo amplia o acesso a dados, e a recomendação técnica segue com o corretor, que também conduz o consentimento do cliente.

Planos de saúde fazem parte do Open Insurance? Não. Planos de saúde e odontológicos são regulados pela ANS. O Open Insurance cobre seguros e previdência supervisionados pela SUSEP.

O que é uma SPOC? É a Sociedade Processadora de Ordem do Cliente, empresa autorizada pela SUSEP a iniciar serviços de seguro em nome do cliente, como contratação e aviso de sinistro.

Prepare a carteira para o que vem

Como o Open Insurance chega primeiro ao seguro de vida em grupo, a gestão dos contratos de vida é o ponto de partida para a corretora se preparar.

Na Flui, contratos de vida, estipulantes, movimentações de vidas, renovações e comissões ficam organizados junto com saúde e odonto, em um sistema para corretoras de benefícios pensado para essa rotina. Teste a Flui grátis por 14 dias.

Organize o pós-venda da sua corretora em um só lugar

Compartilhe esse artigo

Espere!
Sua corretora pode ganhar mais tempo com a Flui

Teste grátis por 14 dias e veja como organizar sua gestão em uma plataforma simples, completa e feita para corretoras.